Toda vez que você não perdoou a ninguém,
Se enchendo de mágoa e rancor do mundo,
Acabando por despejar em mim toda a sua ira,
Eu aprendi a ouvir, e entendi que nem sempre,
Magoam-nos por querer.
Aprendi assim a perdoar.
Toda vez que você reclamava de tudo,
Por vezes perdendo a razão, querendo que,
Todos a sua volta pensassem como você,
Exigindo mais do que ofertando,
Eu aprendi que o melhor dos outros pode não ser o meu.
Aprendi a compreender.
Toda vez que você manifestava efusivamente,
Seu desejo de não se parecer com ninguém, por vezes,
Comprando mais do que precisava,
Ostentando até o que não tinha,
Eu aprendi que devemos ser nós mesmos.
Aprendi a viver com o que tenho,
E batalhar pelo que preciso ou almejo.
Toda vez que você amaldiçoou minha família,
Formada por seres ainda indefesos,
Eu aprendi que deveria esperar qualquer coisa do mundo.
Aprendi que muitas vezes teria de me tornar fera,
Para defender minhas crias.
Toda vez que você odiava o natal,
Evitando abrir as portas da nossa casa,
As pessoas, muitas vezes da nossa família,
Por não terem nada para te ofertar,
Eu aprendi que o natal é muito mais,
Que rabanadas e presentes.
Aprendi a tomar como herança, toda nossa família.
Toda vez que você praguejou contra Deus,
Dizendo haver "discrepância", em sua justiça,
Eu aprendi a orar e pedir a Deus pelos seus pecados,
Eu aprendi a amar a Deus, e a deixar de te ouvir.
Toda vez que você fez questão, que eu ouvisse,
Suas brigas com ele, muitas vezes me pegando pela mão,
Outras invadindo meu quarto, para contar em detalhes,
Na tentativa inútil de denegri-lo perante mim,
Eu aprendi a respeitar a infância dos meus filhos,
Nem que isso me custe a vida.
Aprendi a nunca brigar, sempre dialogar.
Eu agradeço a você por me mostrar tudo,
Eu agradeço a Deus por me ajudar sempre a fazer a melhor escolha.
Na verdade, o meu grande medo na vida,
É que em algum momento, alguém te enxergue em mim.
Foi escrito no pátio do colégio Nilópolis, enquanto comemoravamos os dias das mães, 2010.
quinta-feira, 20 de maio de 2010
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Inveja.
Era uma tarde insolarada,
Até bonita,
Mas eu fui ao hospital,
Precisava ir,
Necessitava ir,
Lá está uma pessoa importante para mim.
No meio daquele mar de gente,
Uns calmamente esperando,
Outros reclamando da sorte,
Procurei eu,
Com meu copinho descartável,
Por um canto.
Me ví embaixo da tv,
Sensação de que todos ohavam em minha direção,
Meu estômago já se ruía,
De repente ao olhar pra frente,
Me deparo com a cena:
Um homem, já de meia idade,
Quase que carrega uma senhora,
Pela semelhança, ou mera mania de perseguição,
Penso se tratar de mãe e filho,
Num gesto tão carinhoso,
Tão paciente,
Já estavamos lá por mais de uma hora,
E ele alí, firme,
Ela também parecia confiar nas mãos de quem a segurava,
Eeu mais uma vez,
Fui às lágrimas,
Pura inveja.
Até quando chorarei?
Até quando perguntarei porque não eu?
Claro que eu a levaria a qualquer lugar,
Claro que eu a seguraria firme,
Mas duvido que ela fosse capaz de me dispensar o olhar daquela senhora.
O pior é saber disso.
Até bonita,
Mas eu fui ao hospital,
Precisava ir,
Necessitava ir,
Lá está uma pessoa importante para mim.
No meio daquele mar de gente,
Uns calmamente esperando,
Outros reclamando da sorte,
Procurei eu,
Com meu copinho descartável,
Por um canto.
Me ví embaixo da tv,
Sensação de que todos ohavam em minha direção,
Meu estômago já se ruía,
De repente ao olhar pra frente,
Me deparo com a cena:
Um homem, já de meia idade,
Quase que carrega uma senhora,
Pela semelhança, ou mera mania de perseguição,
Penso se tratar de mãe e filho,
Num gesto tão carinhoso,
Tão paciente,
Já estavamos lá por mais de uma hora,
E ele alí, firme,
Ela também parecia confiar nas mãos de quem a segurava,
Eeu mais uma vez,
Fui às lágrimas,
Pura inveja.
Até quando chorarei?
Até quando perguntarei porque não eu?
Claro que eu a levaria a qualquer lugar,
Claro que eu a seguraria firme,
Mas duvido que ela fosse capaz de me dispensar o olhar daquela senhora.
O pior é saber disso.
sábado, 23 de janeiro de 2010
O natal visto de baixo.
Quando o assunto é natal,
a imagem que me vem mais claramente a memória
é de um velho tapete imitando persa,
a parte de baixo de uma velha estante preta,
com pés de bola na mesma cor,
uns bagulhetes fazendo a vez de móveis da casa,
uma barbie,
um falcon, (????), com cicatriz no rosto,
um primo.
Este é o meu natal visto de baixo.
Lembrança feliz,
Diga-se de passagem uma das pouquíssimas
para não dizer única lembrança boa desta festa.
fora os presentes, tudo no meu natal mediocre.
Sempre achei que no meu natal, o aniversariante não estava muito presente.
a imagem que me vem mais claramente a memória
é de um velho tapete imitando persa,
a parte de baixo de uma velha estante preta,
com pés de bola na mesma cor,
uns bagulhetes fazendo a vez de móveis da casa,
uma barbie,
um falcon, (????), com cicatriz no rosto,
um primo.
Este é o meu natal visto de baixo.
Lembrança feliz,
Diga-se de passagem uma das pouquíssimas
para não dizer única lembrança boa desta festa.
fora os presentes, tudo no meu natal mediocre.
Sempre achei que no meu natal, o aniversariante não estava muito presente.
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